sábado, 28 de julho de 2012

A arte de produzir efeito sem causa

     Foi difícil escolher com qual livro eu começaria a postar nesse blog, mas finalmente decidi! Escolhi o livro "A arte de produzir efeito sem causa" de Lourenço Mutarelli. E por quê? Bem, porque este livro surgiu na minha vida de um maneira diferente dos demais. Minhas experiências em escolhas aleatórias e sem qualquer indicação invariavelmente fracassam, mas esta foi bem sucedida.
     Um belo dia eu quis testar novos autores brasileiros, e me deparei com o nome desse autor, que vinha se destacando. Um dos prêmios que ele ganhou por este livro, foi o prêmio Portugal Telecom de Literatura. Pensei então:"Hum, um prêmio! Um prêmio quer dizer alguma coisa!" Li mais um pouco sobre o autor e descobri que ele era também autor de "O cheiro do ralo", um filme com Selton Melo.    Esse filme, aliás, é bastante interessante, e traduz o espírito de Lourenço. Ah, para a escrita deste post descobri que o livro homônimo do mesmo, também será traduzido num filme, estrelado por Sandy (acreditem se quiser! E ela até que lembra a Bruna - personagem do livro - da minha imaginação, mas acho que a Alice Braga ficaria melhor!), Antônio Fagundes e Fábio Assunção.
    Enfim, voltando ao livro… uma história cotidiana, mas com uma escrita frenética! Estilo tão  enlouquecido, que não conseguia parar de ler, em dois dias a leitura terminara, e olha que não costuma ser o tipo de literatura que me prende! E o mais engraçado, quando fui comentar sobre o livro com uma amiga, ela também o tinha lido, e tido a mesma sensação, impossível parar!
      Ai vai o resuminho da editora para quem se interessar:




    "Depois de largar o emprego e a mulher, por motivos que guardam uma infeliz coincidência, Júnior volta para a casa do pai. Sem dinheiro nem perspectivas, seus dias se dividem entre o velho sofá da sala transformado em cama, o bar onde bebe com desocupados e as conversas com a jovem e atraente inquilina do pai, Bruna, que ambos espiam através de um furo no armário. A pasmaceira só é interrompida quando começam a chegar pelo correio pacotes anônimos com recortes de notícias velhas, em inglês - uma delas sobre o episódio em que o escritor William Burroughs matou a mulher acidentalmente.
     Enquanto se entrega a reminiscências e persegue objetivos pequenos e imediatos - a próxima refeição, o resgate de uma dívida com o antigo chefe, o dinheiro para o próximo cigarro -, Júnior começa a roer a corda que separa sanidade e loucura, e dá passos numa espiral aterradora que engole todos que o cercam. 
   O tom sombrio e opressivo dos outros livros de Mutarelli aparece aqui novamente, remetendo a influências confessas como Kafka e Dostoiévski. A ele somam-se o tédio e o vazio em meio aos quais os personagens se arrastam, num cotidiano marcado por obsessões sexuais e por um cenário típico da baixa classe média brasileira.    
   Confrontado com uma espécie de afasia, incapaz de confiar na própria linguagem, invadido por associações livres e imagens sombrias, Júnior tenta relembrar seus últimos dias e avaliar os motivos que puseram fim a seu casamento. Mas tudo o que consegue é uma leitura muito particular do que acontece à sua volta, amparada em imagens misteriosas que Mutarelli acrescenta ao romance.    
    Mais do que um retrato de uma sociedade hostil, em que é preciso escolher entre a adaptação estupidificante e o alheamento auto-destrutivo,A arte de produzir efeito sem causa é um mergulho na consciência individual, um universo que depende de muito pouco para revelar seus limites e abismos."

For today: "That's all folks!"



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