terça-feira, 16 de julho de 2013

As intermitências da morte

Bem, já sabia que isto iria acontecer... não tenho paciência com blogs... já matei meia dúzia, mas este pra mim tem um significado diferente. Mesmo que as postagens demorem (bastante... rsrsrs), um dia elas saem, e tudo bem!! Hoje eu escolhi escrever sobre um livro que li há algum tempo atrás, mas que tem surgido na minha mente por diversas vezes desde a morte do meu pai, há quase três anos. O livro chama "As intermitências da morte", de José Saramago. Gosto da escrita desse autor, e achei formidável a maneira que ele escolheu de mostrar a face da morte. A única coisa certa na vida é a morte, e apesar de bastante doída, precisa existir, e o autor mostra de um modo muito único a essencialidade dela. E é ela! Caprichosa que só! Ai vai o resumo da editora:


"Não há nada no mundo mais nu que um esqueleto", escreve José Saramago diante da representação tradicional da morte. Só mesmo um grande romancista para desnudar ainda mais a terrível figura.
Apesar da fatalidade, a morte também tem seus caprichos. E foi nela que o primeiro escritor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel da Literatura buscou o material para seu novo romance, As intermitências da morte. Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer. E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema.
Idosos e doentes agonizam em seus leitos sem poder "passar desta para melhor". Os empresários do serviço funerário se vêem "brutalmente desprovidos da sua matéria-prima". Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crônica, que não pára de aumentar. O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque "sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja".
Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna?
Ao fim e ao cabo, a própria morte é o personagem principal desta "ainda que certa, inverídica história sobre as intermitências da morte". É o que basta para Saramago, misturando o bom humor e a amargura, tratar da vida e da condição humana.

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